quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Controle.

Hoje eu descobri que não sou capaz de controlar todas as minhas tristezas.
Elas vem desabrochando, e eu deixo... transbordando. E eu deixo. Parei de tentar amenizar o seu efeito devastador, e acho que isso é um belíssimo sinal de força.

Aliás, sinto-me cada dia mais forte. Não por causa dela - da tristeza - mas, porque respeitá-la é importante, é saudável. Culturalmente, estamos sempre mais aptos a receber as alegrias de braços abertos e sorrisos fartos, mas não dá pra equilibrar direito sem esse contraponto.

Comemore as tantas coisas boas que a vida nos traz, mas receba com igual respeito as mazelas. Acomode-as confortavelmente em local seco e fresco, mantenha por perto os animais domésticos e uma boa safra do velho mundo.

As temporárias ensinam a evitá-las. As permanentes nem sempre o são, mas, em caso afimativo, ensinam a ver a vida com mais generosidade.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Beijos

Hoje eu aprendi que a gente não envia um e-mail polêmico sem assinar "beijos" ao rodapé. Especialmente quando o interlocutor não tem base de cálculo suficiente sobre você.

Funcionário novo na empresa que quer te dar um conselho; amigo de amigo que contesta o cardápio do jantar; vizinho que reclama sobre a última reunião de condomínio da qual nem participou.

Comunicar-se pressupõe que a mensagem não é exatamente o que você diz, mas sim o que o outro entende, e essa lição vale por meia faculdade.

Prólogo

Não sei quem vai criar os meus filhos no futuro.
Não é prelúdio de morte precoce ou abandono iminente, mas a mais pura obediência a essa nova ordem que me obriga a admitir a minha singela impotência.

A televisão, a escola, a internet e tudo isso junto e reunido nos amigos e nos pais dos amigos me apavora. E me anima. A diversidade é excitante, e, como tal, incontrolável e imprevisível.

Não sei o que pode conquistar mais relevância nessa audiência que está por vir, então resolvi escolher um meio de dar o meu recado, sem cara de sermão de mãe cuidadosa. Tudo o que posso vem lá de baixo, do fundo, da raiz. Tipo "obrigado" ou "com licença". Sobre o resto, não creio ingerência alguma. Influência, quem sabe.

Aos bons filhos, que me leiam. E façam seu próprio traçado.